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Defesa dos direitos

Adoção que rompeu barreiras

Conheça a história da diretora do Lar São Francisco, de Frederico Westphalen, que conseguiu adotar uma adolescente acolhida na instituição graças ao apoio da Defensoria Pública

Adoção que rompeu barreiras

Mãe de dois filhos, Adrinara Maria Tonezer, de 49 anos, veio de Arroio do Meio, em 2017, para assumir o cargo de diretora-guardiã da Casa de Acolhimento Lar São Francisco de FW. Sua experiência ao longo da vida a credenciou ao novo desafio de ajudar as crianças e adolescentes que temporariamente necessitam se afastarem de seus lares em razão de situações de risco. Porém, o que Adrinara não esperava encontrar no seu ambiente de trabalho era a encantadora Maria Stephanie, uma adolescente negra que lhe cativou à primeira vista. O carinho mútuo entre diretora e acolhida foi logo se transformando em sentimento de mãe e filha. “Eu cheguei no lar com o intuito de fazer um trabalho diferenciado, que as pessoas não vissem mais a instituição como um local que acolhe bandidos, pois essa era a visão que se tinha na sociedade. E aí eu conheci a Maria. Foi algo que não dá para explicar. Se tivesse sido premeditado, mas não, eu vim para Frederico Westphalen para reconstruir minha vida, tinha me separado, porém como já tinha filhos e netos não tinha esse objetivo de adotar, mas aconteceu”, conta a diretora.

Adrinara Tonezer é diretora da Casa de Acolhimento Lar São Francisco desde 2017

Resistência

No entanto, quando Adrinara manifestou o desejo da adoção houve uma certa resistência das pessoas e rede à sua volta pelo fato dela ser diretora e querer adotar uma adolescente que estava acolhida no lar. “Quando eu demonstrei essa minha vontade, a maioria foi contra, não enxergavam que seria uma coisa boa a diretora do lar adotar uma criança da casa de acolhimento. Achavam a situação estranha, porém como eu tinha um cargo de confiança, que iria durar quatro anos, pois o lar aqui é um consórcio que pertence aos sete municípios da Comarca, então eu sabia que minha função poderia ter o tempo da gestão de um prefeito. Quando mudasse o presidente do lar, eu talvez não ocuparia mais esse cargo. Assim, eu iria atrás da documentação da adoção e não teria mais essa resistência”, revela. 

Defensoria atua e mostra que não havia impedimento legal para a adoção

O assunto da adoção veio à tona em uma audiência, em 2019, quando Thiago Oro Caum Gonçalves recém iniciava seus trabalhos como defensor público em Frederico Westphalen. “Tinha-se o receio de gerar uma impressão que a diretora teria que adotar todo mundo ou se criaria um problema para as outras crianças, mas por outro lado tínhamos a vontade da menina, que expressava o desejo de ser adotada. A Adrinara faz um excelente trabalho na casa e seria muito triste se ela tivesse que sair do lar para fazer a adoção. Então, fizemos todo um trabalho mostrando que não havia nenhum impedimento legal até que o pedido foi aceito pelo juiz em agosto de 2020, elas fizeram o estágio de convivência e recentemente fui entregar a certidão retificada com a alteração do sobrenome da Maria”, cita o defensor público.

Caso foi acompanhado pelo defensor público, Thiago Oro Caum Gonçalves

Caso foi acompanhado pelo defensor público, Thiago Oro Caum Gonçalves

“A Adrinara é a pessoa que me trouxe a luz no fim do túnel”

Hoje, Maria Stephanie passou a contar também com o sobrenome de Adrinara, um gesto simbólico desta adoção que rompeu barreiras. “Ela é uma mãe muito exemplar e eu não me imagino vivendo sem ela. Só tenho a dizer que a Adrinara é a pessoa que me trouxe a luz no fim do túnel, é a pessoa que me amou quando ninguém mais me amava, então, eu não tenho palavras para dizer o quanto eu a amo, porque ela é a melhor mãe do mundo”, expressa a adolescente. 

Para a diretora, que continua à frente do Lar São Francisco, mas agora com a Maria como filha e morando na sua casa, a atuação da Defensoria Pública foi fundamental para o “sim” do juiz. “O Thiago é mais um filho que eu ganhei, se não fosse o trabalho dele e da Defensoria, tudo isso não teria sido possível”, finaliza a mãe.

Maria Stephanie passou a ter o sobrenome da mãe Adrinara, um gesto simbólico desta adoção que rompeu barreiras

O trabalho da Defensoria Pública

Com amplas áreas de atuação, a Defensoria Pública recebe inúmeros casos de família, (divórcio, união estável, alimentos, guarda), demandas de saúde, casos de consumidor, situações envolvendo crianças e adolescentes, de adoção, terras, violência doméstica, e também casos criminais. Na Comarca de Frederico Westphalen, além de Gonçalves também atua a defensora pública, Paula Guerrero Moyses. “O papel da Defensoria é humanizar. Cada instituição tem sua função e a da DPE é enxergar a pessoa por trás daquela folha que envolve a vida dela”, destaca Paula. 

Na Comarca de Frederico Westphalen, além de Gonçalves também atua a defensora pública, Paula Guerrero Moyses 

Como contatar a Defensoria Pública de Frederico Westphalen?

Localização: Rua Presidente Kenedy, 1201, sala 101, Centro de Frederico Westphalen.

Horário de atendimento: 9 horas às 12 horas e das 13 horas às 18 horas

Telefone: (55) 3744-2211; WhatsApp: (55) 9.9664-2760

E-mail: defensoria-westphalen@defensoria.rs.def.br

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Fonte: Jornal O Alto Uruguai