O momento vivido de aceleração tecnológica tem feito com que determinados setores de trabalho garantissem um aumento exponencial na demanda por profissionais qualificados. Um desses segmentos é a área de Tecnologia da Informação (TI), que vem registrando números surpreendentes.
Ainda antes do contexto da pandemia do novo coronavírus, o setor de TI já vinha demonstrando crescimento superior à média geral comparada com outros serviços. Um levantamento realizado pela Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação no Paraná (Assespro-PR), em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), publicado em setembro de 2021, mostra que, entre 2012 e 2019, o segmento de serviços brasileiros registrou crescimento de cerca de 10% ao ano na receita bruta. Já a receita bruta dos serviços de TI subiu 31% ao ano e alcançou cerca de R$ 202 bilhões no fim do exercício de 2019.
Já no âmbito da pandemia, ao passo que grande parte de outros setores foram duramente prejudicados, fazendo com que a economia brasileira de modo geral ficasse em estado de retração no segundo trimestre de 2021, com 0,1%, a atividade de informação e comunicação cresceu 5,6% em relação ao trimestre anterior, de acordo com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgadas pelo UOL.
Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), e publicados pelo portal Uol Economia, nos seis primeiros meses deste ano, as atividades do ramo de tecnologia da informação estavam 27,8% acima do patamar de pré-pandemia, com criação de 107 mil postos de trabalho abertos no setor, incluindo serviços de telecomunicações.
Mão de obra disponível não dá conta da evolução do setor
Mesmo com todos os indicativos de evolução e crescimento, o segmento enfrenta um problema crônico que está se evidenciando, ainda mais, nos últimos anos, que é a falta de mão de obra qualificada. Um relatório disponibilizado pela Brasscom realizou uma pesquisa destacando que o Brasil forma 46 mil pessoas por ano com perfil tecnológico, mas seriam necessárias 70 mil para atingir a demanda do mercado. Essa realidade é refletida também na nossa região.
De acordo com a diretora-acadêmica da URI/FW, Elisabete Cerutti, as empresas estão procurando a universidade em busca de profissionais, inclusive, tanto alunos como professores, tamanha é a demanda de vagas a serem preenchidas. “Nós temos, a cada dois, três dias, recebido pedidos de empresas para divulgação de vagas de trabalho, de banco de talentos, e temos percebido, inclusive, que vários colegas nossos estão sendo convidados para trabalhar em outras organizações, isso mostra o quanto algumas atividades profissionais seguem no remoto, no contexto de pandemia, e o quanto as organizações vão precisar desses profissionais”, comenta a gestora.
Elisabete aborda, ainda, que a falta de mão de obra para suprir as necessidades do mercado pode ser uma grande oportunidade para que novos profissionais e novos empreendedores surjam. “O mercado de TI está cada vez mais aquecido e quem souber aproveitar essa oportunidade, poderá, além de trabalhar com TI, de futuramente ser um empresário da área, visto que as organizações, cada vez mais, irão demandar dos trabalhos desses profissionais e de abarcar as múltiplas frentes que hoje o mercado necessita”, comenta.
Mercado local oferece oportunidades
É este cenário de carência por profissionais que a empresa frederiquense Digifred vem enfrentando. O gerente de operações da instituição, Adilson Casali, evidencia as oportunidades de emprego que a empresa oferece, visto o avanço que o setor vem apresentando.
– Hoje, temos uma necessidade de contratação em torno de 20 desenvolvedores das linguagens de Delphi Java e PHP. Além dessas vagas para desenvolvedores, temos também cerca de 10 vagas de suporte para atender nossas linhas de negócio. Hoje, diante da pandemia, nossa linha de desenvolvimento está toda em formato home office, então nós podemos contratar de qualquer lugar do país e do mundo, o que dá uma certa flexibilidade nas contratações. Já as vagas para a linha de suporte são em formato híbrido de home office e presencial – explica.
O papel das instituições de ensino
As universidades são as principais fornecedoras de mão de obra qualificada para o setor de TI. De acordo com o coordenador-substituto do curso de Sistemas de Informação da Universidade Federal de Santa Maria, campus de FW, o professor-doutor Ricardo Tombesi Macedo, até 2024 a previsão é que o mercado demande aproximadamente 70 mil profissionais de TI. Macedo ressalta que com base nos dados da Brasscom, o sistema de ensino superior nacional atualmente possui capacidade de formar apenas 46 mil profissionais, deixando uma lacuna de 24 mil vagas.
– O curso de bacharelado em Sistema de Informação oferecido pela UFSM atua para reduzir essa carência ao possuir como características as facilidades, por ser gratuito, presencial, funcionar durante a noite e possuir distintas formas de ingresso, onde o aluno pode optar pelo Sisu, transferência ou ingresso de diplomados. Correlacionado a isso, a UFSM realiza esforços internos no campus de Frederico Westphalen para criar novos cursos de graduação e especialização na área da computação para melhor atender a comunidade frederiquense e região na qualificação de mão de obra especializada para o setor de informática – reforça o docente.
Na mesma linha, a diretora-acadêmica da URI/FW, Elisabete Cerutti, enfatiza que a universidade ainda possui vagas abertas do vestibular de ingresso ao curso de Ciência da Computação, diante das demandas que a região vem enfrentando na área de TI. “Quem investir agora em seu ensino superior no setor de TI vai ter grandes ganhos no amanhã, porque são mercados com grandes possibilidades futuras”, frisa.
Fonte: Jornal O Alto Uruguai
