Amaro Heitor Braga, conhecido como seu Amaro, tem 72 anos de histórias para contar. Dentre todas as experiências, as suas favoritas envolvem sua família, seu trabalho e tudo que for relacionado à tradição gaúcha. O aposentado, que reside na linha Nova, em Seberi, guarda até hoje alguns utensílios e vestimentas que ganhou de seu pai, aos 17 anos, e que usava para andar a cavalo e trabalhar.
Afeto pelas memórias
Entre as lembranças, seu Amaro possui uma capa campeira, da marca Ideal Renner, muito valiosa na época e até os dias atuais, e duas bombachas, cujas costuras laterais são raras. Ele também se orgulha de dois palas, um de seda e um de lã, seu companheiro durante o difícil momento em que acompanhou a recuperação do seu filho no hospital, após um acidente de carro.
Os equipamentos que seu Amaro guarda com tanto orgulho também são de quando era jovem. As esporas de um de seus cavalos, cujas rosetas até se perderam e tiveram que ser substituídas; seu atirador, usado para laçar; um “rabo de tatu” e um chapéu. Braga também exibe um facão da marca Formiga, listrado em ambos os lados e de grande valor. Esses itens se tornam ainda mais valiosos por serem presentes de seu falecido pai, Manoel Nestor Braga.
Carinho pela família
O agricultor conta que sente muito orgulho do homem que o criou, pois ele foi muito trabalhador e um membro ativo da comunidade. Quando Amaro fez 18 anos conseguiu seu primeiro cavalo trabalhando como peão e recebeu uma proposta de seu pai para trabalharem juntos na lavoura. Aos 20, os dois conseguiram adquirir mais terras, que foram pagando durante os anos. Quando completou 23 anos, as dívidas foram finalmente pagas e seu Amaro pôde construir sua própria casa. Aos 25, se casou com Neusa Braga, com quem vive há 46 anos e teve três filhos.
Além do trabalho como agricultor, seu Amaro sempre gostou muito de andar a cavalo. Costumava passear em cidades da região para visitar parentes, ia em rodeios e bailes. De todos os inúmeros cavalos que teve, ele conta que sente saudades de dois, com os quais teve grande conexão e entendimento.
Hoje em dia, por problemas de coluna, já não pode mais trabalhar nem andar a cavalo. O entretenimento atual é a canastra, diversão garantida ao lado da esposa e amigos, que até já rendeu uma premiação de 1º lugar nos Jogos Rurais na Ponte Fortaleza. “Saudades daquele tempo que a gente saía, brincava, trabalhava. Eu sinto que se você não está exercendo algo, fica esquecido”, comenta.
Porém, mesmo não podendo mais exercer a profissão ou cavalgar, seu Amaro ainda guarda as boas memórias de seus momentos favoritos quando fazia o que mais amava. E, com certeza, essas lembranças jamais serão apagadas pelo tempo.
Fonte: Jornal O Alto Uruguai
