Quase todos os dias, as agências bancárias de Frederico Westphalen e região recebem dezenas de ligações de clientes informando que sofreram tentativas de golpe ou, pior, que acabaram sendo envolvidos pelos golpistas, transferindo quantias de dinheiro consideráveis.
O crime de estelionato definitivamente não é uma novidade, mas com o avanço da tecnologia, os golpes também evoluem. Com a chegada e popularização do Pix, serviço do Banco Central que possibilita a transferência instantânea de dinheiro por meio do celular, os estelionatários viram uma nova oportunidade de criar novos e mais complexos golpes.
A abordagem mais comum envolve uma ligação suspostamente da agência bancária da vítima, que pode ser facilmente descoberta na internet ou por informações do Pix, que são exibidas ao realizar uma transferência. Na posse dos dados pessoais da vítima, o estelionatário liga informando que uma movimentação atípica aconteceu na conta.
Não é incomum que as chamadas envolvam mais de uma pessoa, para tentar dar mais veracidade ao golpe. Durante a ligação, o estelionatário vai dando uma série de instruções para a vítima que, ao segui-las, acaba criando uma “máscara” – termo que se refere a um número virtual que pode ser criado em seu celular –, que automaticamente direcionaria a próxima ligação feita de seu celular para outro número dos golpistas.
Assim, ela é instruída a ligar para o número de atendimento que consta atrás de seu cartão de crédito. Por acreditar que estará entrando em contato com o banco, a vítima liga, mas na verdade está falando com um novo golpista, que poderá assumir até o mesmo o controle de toda a conta bancária, ou pedir transferências em dinheiro.
Segundo os agentes bancários, a melhor forma de evitar os golpes é manter um contato próximo com o gerente do banco responsável pela conta, pois ele é o encarregado de falar com os clientes. Assim, quando alguém que não seja o gerente liga informando ser do banco, é melhor desconfiar.
Na dúvida, o indicado é buscar ajuda diretamente na agência, evitando fazer ligações, já que o celular pode estar “mascarado”. É na agência, também, que as vítimas dos golpes receberão instruções, uma vez que na maioria dos golpes não é possível ser ressarcido do prejuízo. As instituições financeiras não são obrigadas a devolver os valores enviados ao golpista, mas prestam todo o suporte para o que valor seja recuperado.
Os bancos fornecerão as informações da conta de destino do dinheiro e, com elas, é possível fazer um Boletim de Ocorrência e também acionar judicialmente o golpista e até mesmo a instituição financeira de destino.
Escapando do golpe
Três empresários de Frederico Westphalen, que preferiram não se identificar, contaram como os golpistas agiram tentando aplicar golpes, que no fim foram evitados.
“Um senhor me ligou dizendo ser da central de relacionamento do banco e pediu para confirmar alguns dados para atualizar o cadastro. Passou meu nome, meu endereço e pediu para eu confirmar. Em seguida, pediu para que eu digitasse minha senha da conta, não digitei e desliguei imediatamente”.
“Mesmo estando bem informado, é necessário um extremo cuidado. Existem vários métodos utilizados que você nem desconfia que podem ocorrem durante a ligação. No meu caso, eu recebi uma ligação de uma pessoa se identificado ser do banco, me questionando se eu estava fazendo alguma movimentação bancária naquele dia, o que de fato eu estava. Depois citou alguns valores em específico, pedindo se fui em quem havia transferido. Quando afirmei que não, a pessoa pediu para que eu ligasse o mais rápido possível para o meu banco, no número que estava no verso do meu cartão de crédito. Ele não pediu dados, nem nada, apenas pediu para que ligasse para o banco, o que no primeiro momento dá uma certa credibilidade. Mas ao invés de ligar para o número do banco, liguei diretamente para o meu gerente, o qual me informou que aquilo não era verdade. Caso ligasse para a instituição financeira, poderia ter ocorrido um desvio de rota da ligação”.
“Em abril, tive meu cartão clonado. Um tempo depois, os golpistas abriram uma conta em meu nome em um banco em que eu nunca havia sido correntista, em Ribeirão Preto (SP), e habilitaram um cartão de crédito, no qual gastaram mais de R$ 21 mil e acabei ficando com o nome no Serasa. Em contato com o banco consegui resolver, mas ficou o registro que estive como nome no Serasa por um tempo. Depois sofri outra tentativa, na qual me ligaram informando sobre transações na minha conta, me informando um protocolo que eu deveria informar ligando novamente para o número. Mas percebi que era golpe porque o valor informado era superior do que tinha em conta, então sabia que, se realmente alguém tivesse fazendo essa movimentação, não daria certo”.
Conheça como funcionam alguns dos principais golpes
Clonagem de WhatsApp
Ter o número de telefone cadastrado como chave Pix permite que golpistas tenham acesso a seu contato em grupos de WhatsApp, e partir daí, a dados como nome completo e banco do qual a vítima é cliente. Depois entram em contato com a vítima se passando pelo banco, solicitando atualização de dados e aplicativo bancário, ou ainda checando se um determinado valor foi movimentado. Então, o golpista afirma que vai enviar o número do protocolo do atendimento via SMS. Mas o que a vítima recebe, na verdade, é o código de confirmação de acesso ao seu próprio WhatsApp. Uma vez que esse código é compartilhado com o golpista, ele passa a ter acesso total a seus contatos e conversas. A partir daí, passa a tentar enganar conhecidos da vítima solicitando favores, como pagamento de dívidas e realização de transferências. A ativação da verificação em duas etapas do WhatsApp, disponível nas configurações do aplicativo, permite criar um PIN que será necessário na hora de acessar o aplicativo por um outro celular, além do código que é enviado via SMS. Dessa maneira, o golpista terá mais dificuldade na hora de tentar clonar a conta.
Conta falsa do WhatsApp
Nesse golpe, o estelionatário coleta informações e fotos da vítima nas redes sociais e, a partir daí, cria uma conta falsa no WhatsApp se passando pela vítima, pedindo favores a conhecidos.
Falso funcionário
Golpista se passa por um funcionário do banco em ligação e, em alguns casos, inclusive utiliza-se de gravações para dar veracidade à chamada. Depois, informa que ajudará a vítima a regularizar sua chave Pix ou criar uma nova, caso ainda não tenha. Em algum momento, o golpista solicita o envio de uma quantidade em dinheiro para testar o funcionamento da ferramenta.
Bug do Pix
Nesse golpe, os estelionatários espalham boatos avisando que uma falha foi descoberta no sistema da ferramenta, fazendo com que ao enviar uma quantidade em dinheiro para uma chave específica divulgada pelos golpistas o valor será devolvido em dobro.
Fonte: Jornal O Alto Uruguai
