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Opinião

Saborosos Frutos de uma Singela Semente

Há 55 anos, exatamente no dia 22 de dezembro de 1.969 foi lançada em Frederico Westphalen  uma semente. Ela germinou, desabrochou e frutificou. A terra não era lá muito propícia, uma modesta cidadezinha do Interior. Os agricultores, não muito técnicos. Mas reinava uma expectativa, um vendaval de novas ideias varria a urbe, lideranças intrépidas, com vontade férrea, contaminavam a sociedade. E a messe não tardou. Não rolou nem meio século e os ceifeiros se regozijam com a colheita, a partir de 1.992. O nome da semente? FESAU. O nome dos frutos? URI.

O Estado exigia professores com Ensino Superior. Cursar Faculdade fora da cidade, era doloroso, dispendioso e a matéria prima escassa. Começa a borbulhar o projeto: Por que não criar uma Faculdade aqui na cidade? Entraram na batalha o Bispo, o Prefeito, os Vereadores, os empresários, os professores e a Comunidade. Uma Comissão delineou o projeto. E quem apadrinharia o plano mirabolante? A UFSM, através de José Mariano da Rocha Filho, um Reitor que foi realmente MAGNÍFICO. Mandou consertar detalhes, acrescentar remendos até que, enfim, concedeu a AUTORIZAÇÃO almejada. Selecionaram-se professores, alugou-se sala e aconteceu o primeiro vestibular. Aos trancos e barrancos, entre tapas e beijos, as aulas aconteciam. Os próprios alunos, através de campanhas, bailes e rifas, organizaram a biblioteca. O salário do Corpo Docente não era magro, era magérrimo. Através dos políticos, conseguiram-se professores cedidos pelo Estado. E entre lágrimas e  suspiros,  formou-se a primeira turma. Só que não se podiam diplomar os novéis universitários. Mais uma maratona – coube a Bagé conceder o certificado.

Nova batalha: queríamos o Reconhecimento, queríamos independência. Voltamos a Santa Maria. Dentro da Rural da Prefeitura, empilhou-se a comitiva. Na memorável reunião com o Magnífico Reitor contávamos com influente advogado: Tarso Dutra, na época Ministro da Educação. Toda a argumentação contrária do Reitor foi por terra, com as palavras definitivas do Deputado Tarso: “Reitor, o Sr. vai dar sim o Reconhecimento. Eu sou daquela terra e eu conheço aquela gente”. Só que o Marianinho condicionou: “quero uma lei da Câmara que a Prefeitura destine 500 salários mínimos anuais para a Entidade”. Com o Prefeito e a Câmara presentes isto foi aprovado na hora. Abro aqui um parêntesis: esta lei deixou de ser cumprida não sei quando e caberia aos Responsáveis  descobrir as causas e exigir o resgate.

Aos poucos a Instituição adquiriu compleição robusta. Atualmente possui terreno, prédios, Corpo Docente qualificado, 14 Cursos, Mestrado e Pós-Graduação. Os Prefeitos sempre deram o seu quinhão. Imaginem que parte da área de construção, era terreno destinado para cemitério. As trevas da morte deram lugar à luz do conhecimento. Sei que vou esquecer algumas pessoas que emprestaram o seu suor e sangue pela nossa Universidade. Todavia, seria injusto deixar de nomear: Ophelia Sunpta Buzatto Paetzold, Érico Simoni, o Bispo Dom Bruno e o Prefeito Nerone Campo. Saliente-se, a Entidade sempre teve a felicidade de ter à testa Diretores de primeira grandeza. Quanto à FESAU, ela continua vigilante e atuante, como  mãe que observa o filho escrevendo o  seu destino. Hoje, tem na administração o dedicado jardineiro Dr. Luís Panosso Netto, desenvolvendo seu múnus totalmente gratuito.

*Os textos e artigos aqui publicados são de inteira responsabilidade de seus autores, e não traduzem a opinião do jornal O Alto Uruguai e seus colaboradores