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Opinião

Rosa ou azul?

Avançamos na luta por igualdade de gêneros – onde homens e mulheres devem ser possuidores dos mesmos direitos e deveres – e na liberdade em fazer nossas escolhas sem nos limitarmos a estereótipos que condicionam e estigmatizam. Contudo, os simbolismos manifestos em códigos visuais, composto por formas e cores ainda é usado como convenção social no dia a dia, fazendo com que analogias sejam feitas e perpetuadas por meio dos mais diversos meios, inclusive o midiático. Exemplo disso é a cor rosa, fortemente vinculada ao universo feminino e que arbitrariamente foi associada a “coisas de menina”, enquanto a cor azul responde por “coisas de menino”. A maioria dos enxovais de bebês, assim como os enfeites nas portas dos quartos no hospital, nos lembram a todo tempo que ali nasceu uma “rosa” menina ou um “azul” menino. Essa restrição na paleta de cores nos acompanha vida afora, estando presente nas roupas e embalagens de produtos como um aviso indicando a que gênero se destinam, como se precisássemos de bula para nos recomendar o que usar. Não há razões científicas, ancestrais ou genéticas que indiquem o colorgender (gênero-cor) de cada indivíduo, já que estudos na área se ocupam sobre a influência das cores na emoção e suas implicações culturais, como a “Psicologia das Cores”, de Eva Heller. Assim, demais explicações são mera especulações ou crendices como usar determinada cor nas festas de fim de ano. Nessa linha mística e romanesca, o rosa invade os contos de fadas e o mundo das princesas como forma de transmitir pureza e magia. O mesmo significado de doçura e apreço é atribuído quando ofertamos flores nessa cor. Porém, nem tudo foram flores na Segunda Guerra Mundial, onde os nazistas obrigavam os homossexuais do sexo masculino a usarem triângulos rosas a fim de identificar o motivo de estarem nos campos de concentração decorrentes da sua opção sexual. A cantora Rita Lee já debochava há 30 anos sobre os estereótipos vinculados à figura da mulher, como na música “Cor de rosa choque”. Ela citava clichês comuns de se escutar até hoje: “Sexo frágil” rebatendo com “Não foge à luta”; “Mulher é bicho esquisito, todo mês sangra” e “Gata borralheira. Você é princesa. Dondoca é uma espécie em extinção...”, estabelecendo a quebra da dependência da mulher de uma fada-madrinha ou de um homem para sobreviver, embora ainda exista muita dondoca que posa de pós-moderna bem-resolvida, mas que adora viver às custas de quem lhe proporcione sapatinhos de cristal. É aquilo, “há homens que têm patroa. Há homens que têm mulher. E há mulheres que escolhem o que querem ser” (Martha Medeiros). O apreço por cores que nos agradam, à mercê de seus significados ou analogias, deveria ser o fator que nos induz a pintar o escritório, comprar um carro, tingir o cabelo, fazer um make ou escolher uma roupa. Sim... Sabemos sobre a tendência das cores (para roupas, cabelos e batons) para a nova estação, mas preferimos seguir nosso estilo e não ser camaleão de quem os decreta. Sobre a cor rosa? Confesso que detesto, e só tenho a agradecer a minha genitora, por não me vestir quando criança do laço do cabelo ao sapatinho nessa cor (talvez ela também não goste, nunca perguntei). 

Bons Ventos! Namastê.

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